A imagem da newsletter e dos ecrãs desta semana estava à responsabilidade da coordenadora da Task Force Digital da nossa Paróquia. Temso feito para que as imagens que usamos nos ajudem a transportar para o foco da mensagem do Evangelho Dominical, não importa o estilo, importa sobretudo que ajude a trazer uma certa “cor” ao Evangelho que escutamos.
Esta semana a Daniela estava particularmente entusiasmada com o resultado final. Não porque a imagem seja particularmente criativa, mas porque é uma foto tirada por ela, de um trabalho particularmente especial.
É uma escultura de um artista britânico chamado Charlie Mackesy, que está exposta na entrada da igreja da HTB em Londres, sede do Alpha Internacional.
É uma figura nossa conhecida dos temas do Percurso Alpha. Tornou-se mais familiar nas várias viagens a Londres para participar na Leadership Conference, eu já desde 2015 e vários elementos da nossa equipa Alpha desde 2017 (este ano seremos 10).
Recentemente o Chalie Mackesy tornou-se conhecido globalmente ao ganhar um Óscar de Melhor Curta-Metragem de Animação (roubando a oportunidade ao português Ice Merchants).
É um homem muito peculiar, todo ele respira “artista”, tem uma bela história de fé – que testemunha nos vídeos Alpha, e durante a pandemia (lembram-se?) criou um conjunto de publicações com frases inspiradoras, em torno de algumas personagens desenhadas por si, que depressa criaram uma comunidade em torno daquela alegria que ele inspirava. Muito rudemente faz lembrar um Principezinho do tempo digital, só para vos fazer perceber o impacto deste trabalho. Acabou pro se tornar um livro e mais tarde numa animação que foi premiada com o Óscar. Recomento vivamente ambos, independentemente da vossa idade.
Mas esta semana, e ouvir-me-ão falar disso na missa, se não forem à do padre Jorge – sim, porque eu agora sei quem vai à missa à Marinha e quem não vai(...), destacamos esta escultura que retrata do abraço do Pai ao filho, o tal que era pródigo[1].
E é um trabalho incrível de traduzir o espírito do Amor de Deus e daquilo que é a nossa Fé.
O olhar de alívio do Pai ao ver e abraçar o filho “que estava morto mas agora vive”, a força com que o abraça, e os braços desajeitados do filho que nem devolve o abraço.
E é aqui que está o pormenor que faz toda a diferença, o pobre rapaz não consegue devolver o abraço, porque o Pai faz tudo, é Dom total do Pai que não lhe pede retribuição, apenas que se confie totalmente.
Então os braços desengonçados não são de falta de jeito ou de vergonha, são de total entrega e confiança. O filho confia, entrega e abandona-se totalmente nos braços do Pai que naquele momento o suporta suspenso. (reparem como o Pai o abraça de forma envolvente)
“Quem tem ouvidos oiça...” Não se ganha, não se merece, não se devolve. É puro dom gratuito de um Pai que só quer ver o filho bem, são e salvo e que ignora completamente o seu erro, o seu pecado, sem lhe cobrar o que quer que seja.
Pede apenas a coragem de se deixar cair nos braços amorosos do Pai.
[1] pródigo
(pró·di·go)
adjectivo e nome masculino
1. Que ou quem gasta de forma desmedida ou compromete as suas possibilidades económicas com gastos excessivos. = DISSIPADOR, ESBANJADOR, GASTADOR, PERDULÁRIO ≠ AVARENTO, SOMÍTICO, SOVINA
2. Que ou quem tem ou oferece algo de forma abundante. = GENEROSO
"pródigo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2025, https://dicionario.priberam.org/pr%C3%B3digo.