Mudanças… para muitos aparecem como um medo, para outros uma desgraça, para outros uma desculpa, para outros tantos uma graça, ainda que no meio da dor, a mudança se apresenta como um recomeço.
Há mudanças previstas e planeadas, sabemos que outras são inesperadas, umas grandes, outras pequenas, por vezes libertadoras e outras vezes mudanças indesejadas, pequenas, grandes, entusiasmantes. As mudanças podem, também, vir como o vento que na sua brisa nos revela que está na hora de dar lugar ao que de novo está para chegar.
As mudanças, por vezes, chegam sem pedir licença… mas elas acontecem e acontecem no tempo!
Na nossa vida tudo requer tempo, por menor que esse seja; “tempo para nascer e tempo para morrer; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de destruir e tempo de construir; tempo de buscar e tempo de perder, tempo de guerra e tempo de paz....” (Ecl.3, 1-8), até a natureza é regida pelo tempo, nas suas diferentes estações (primavera, verão, outono, inverno), e também há tempo para esperar o agir de Deus e ver o cumprimento da Sua promessa.
A ideia de que sempre temos que estar bem, ser felizes, saudáveis, ricos e andar sempre em festa, talvez possa ser uma ideia muito romanceada ou de filmes, de novelas e sermões da prosperidade, mas nem sempre assim acontece! Há tempos em que sofremos, choramos, estamos doentes, desistimos, calamos a dor, a injustiça, a solidão.
Mudanças no tempo que pedem a mudança do “eu”.
Na vida de Jesus também houve tempo para tudo: tempo para nascer, tempo para rir, tempo de ensinar, tempo de chamar discípulos, tempo de curar, tempo de ficar em silêncio diante da barulheira do mundo, tempo de falar do amor de Deus enquanto partiam o pão da ceia, tempo de suar gotas de sangue com o tão grande sofrimento e tempo de morrer e de ressuscitar.
Jesus teve que esperar ser adulto, esperar para ser batizado por João, esperar para que se cumprisse através d’Ele todas as profecias, esperar pelas acusações, esperar pela dor, esperar pela cruz, esperar para estar novamente a direita de Deus Pai.
E Jesus como é que respondeu diante deste tempo de espera?
Oração, tempo com o Pai, silêncio, lágrimas sim, mas em momento nenhum, revolta, desanimo ou vontade de desistir.
O Senhor permite todas as "estações" nas nossas vidas para que a Sua vida se possa ir aperfeiçoando na nossa vida! Para que a Sua Glória possa ser vista em nós e outros perguntem e digam: “Estás diferente”, e nós possamos responder: “É a luz de Cristo em mim!.”
Mas para isso precisamos pedir sabedoria para agir no tempo em que nos são pedidas mudanças.
Ao nível eclesial e da Igreja também somos desafiados a “agarrar” as mudanças que nos são ditadas pelos sinais dos tempos, e, a acolhê-las na fidelidade ao Evangelho e na senda daquilo que foram sendo os ensinamentos dados e deixados pela Tradição e Magistério da Igreja.
Nessas mudanças, “Não escondemos que experimentámos em nós o cansaço, a resistência à mudança, a tentação de fazer prevalecer as nossas ideias sobre a escuta da Palavra de Deus e a prática do discernimento.(...) O discernimento que podemos classificar de eclesial, exercido pelo Povo de Deus...que se esforça por discernir nos acontecimentos, nas exigências e aspirações, em que participa juntamente com os homens de hoje , quais são os verdadeiros sinais da presença ou da vontade de Deus.
(...) Ao viver o processo sinodal, tomámos nova consciência de que a salvação a receber e a anunciar passa através das relações. Ela vive-se e testemunha-se juntos. (...) O sentido último da sinodalidade é o testemunho que a Igreja é chamada a dar de Deus, Pai, Filho e Espirito Santo...” (Documento final do Sinodo dos Bispos) que precisamos que chegue até aos confins da terra e a todos os corações dos homens e mulheres nossos irmãos do nosso tempo.
Neste caminho sinodal também a nossa diocese foi participante e, na escuta que fizemos uns dos outros, iluminados pelo que nos diz o Espírito, chegou o tempo de mudanças que tocaram também á nossa paroquia da Marinha Grande.
A formação das Unidades Pastorais torna-se uma realidade e abre o tempo para o desafio de mudarmos ritmos, compromissos, disposições pessoais e nos abrirmos a vivência da fé em comunhão eclesial e de maior proximidade ao coração de Jesus e dos irmãos.
Nada ficará como dantes, porque Jesus quer ser dito e anunciado de maneira criativa de modo a tocar todos os corações inquietos que procuram desbravar caminhos novos e a viver na plenitude a sua humanidade.
Para que isso seja uma realidade é preciso “partir” com o sentido de que “É necessário que Eu anuncie também as Boas Novas do Reino de Deus em outras cidades, pois precisamente para isso fui enviado.”(Lc 4, 43).
É com este sentido da missão e da realização do meu ministério que parto e deixo a paroquia da Marinha Grande, com as expectativas que as mudanças acarretam, mas, com a certeza de que é por vontade de Deus e de que irmanados na fé permaneceremos juntos!
Mudanças no tempo que humanamente se apresentam difíceis, mas que em Deus são pacificadas e felizes!
Até já....!