ESMOLA

Falamos em esmola e logo o nosso primeiro pensamento vai para o dinheiro, para as coisas materiais, para os bens de primeira necessidade.

E, sem dúvida, essa é uma esmola importante, sobretudo para aqueles que nada têm e precisam de tudo.

Mas também é verdade que é a esmola mais fácil, digamos assim, porque no fundo é “meter a mão no bolso” e tirar o pouco ou muito que nele se tem.

E quando pensamos nessa esmola material, também logo podemos arranjar uma qualquer desculpa para não a dar, porque não temos bens ou capacidades materiais para isso.

Mas e a “esmola” do tempo? A “esmola” da companhia? A “esmola” da paciência? A “esmola” do sorriso? A “esmola” do abraço? A “esmola” da solidariedade?

E um nunca acabar de “esmolas” que afinal todos podemos dar, porque não exigem nada dos nossos bens materiais, mas sim da nossa entrega pessoal, da nossa disponibilidade.

É tão cómodo haver gente que faz todo esse trabalho, que recebe as nossas muitas ou poucas dádivas, e as distribui àqueles que delas precisam.

Já perguntámos a alguém ou perguntámos a nós próprios, o que podemos fazer para ajudar?

Com certeza que não podemos ser todos a fazer as mesmas coisas, mas podemos, sem dúvida, ajudar em momentos pontuais, estando disponíveis para darmos essas “esmolas”.

E se há uma “esmola” que todos, sem excepção, podemos dar, essa é, sem qualquer dúvida, a oração pelos outros, pelos que precisam e por aqueles que os ajudam diariamente.

Joaquim Mexia Alves

PENITÊNCIA

E agora, pensamos nós, temos que colocar cinzas sobre a cabeça, vestir-nos de saco, e mostrar a toda a gente como estamos arrependidos e fazemos penitência.

Não, não precisa ser assim, e a penitência não é para “mostrar”, é para viver no nosso íntimo.

Hoje em dia, diz-se muitas vezes que Deus não quer o nosso sacrifício, que não quer que nós soframos, e isso é, obviamente, verdade.

Mas não deve constituir desculpa para não nos colocarmos perante as nossa faltas, delas pedirmos perdão e nos penitenciarmos por causa das mesmas.

E esta penitência que, mais do que devemos, precisamos fazer, é procurar em nós aquilo que, neste tempo de Quaresma, podemos prescindir com algum sacrifício, seja materialmente, seja socialmente, seja, sobretudo, espiritualmente.

Materialmente, prescindirmos de alguns prazeres rotineiros diários, (o café, o bolo, o doce, etc.), e oferecermos o que, por causa disso, poupamos aos que mais necessitam.

Socialmente, termos mais atenção aos outros, sobretudo àqueles com quem não conseguimos ter uma relação mais empática e, revestindo-nos de paciência, os ouvirmos e tentarmos compreender.

Espiritualmente, fazer um compromisso connosco próprios, para lermos e meditarmos diariamente a Palavra de Deus, para O procurarmos no sacrário sempre que nos for possível, rezarmos mais e melhor, ou seja, não de forma rotineira, mas como um verdadeiro diálogo com Deus que se dá a conhecer àqueles que O procuram «em espírito e verdade».

E depois, obviamente, o Sacramento da Confissão, plenamente celebrado, isto é, com um bom exame de consciência, a confissão de todos os pecados, um verdadeiro arrependimento, e um firme propósito de emenda. 

Seguros da Sua infinita misericórdia, viveremos uma penitência na Quaresma, que Ele recebe cheio de amor.

Joaquim Mexia Alves

Oração

ORAÇÃO

Entra dentro de ti e faz um deserto no teu coração, ou seja, esvazia-o de tudo o que é mundo te preocupa e angustia.

Em silêncio chama o Espírito Santo e deixa que Ele coloque, primeiro no teu coração, e depois na tua boca, as palavras que Ele te inspirar.

Aliás, não te preocupes muito com as palavras, mas muito mais com a intenção do teu coração, do teu viver.

O que tu queres é encontrar-te com Jesus, no deserto de ti mesmo, que te chama a viveres com Ele esta quaresma.

E quando o teu coração se eleva para Ele, se deixa envolver no amor do Pai e iluminar pelo Espírito Santo, então descansa, confia e espera, porque a oração tomou conta de ti, e tu estás agora no encontro pessoal com Jesus que tudo muda, tudo transforma, tudo pacifica.

Em paz, então, deixa que a oração saia de ti e se faça vida na tua vida, pela graça e o dom dAquele que a ouve e recebe.

Joaquim Mexia Alves

CONVERSÃO

Ao iniciar o tempo da Quaresma, partilhamos algumas notas sobre elementos chave para uma boa e frutuosa vivência Quaresma.

CONVERSÃO

Dá a mão a Jesus e deixo-te conduzir ao deserto onde Ele se quer encontrar contigo.

Ali, naquela imensidão não tens nada que te distraia, nada para veres ou ouvires, e assim, podes recolher-te e examinares a tua vida.

Vai percebendo, conduzido pelo Espírito Santo, aquelas coisas que estão mal na tua vida, as tuas fragilidades, as tuas fraquezas, aquelas coisas que te fazem cair, e que depois a tua consciência te faz querer emendar.

Não te preocupes com coisas grandes, porque essas tu conhece-las bem, e podes identificá-las sem grande dificuldade, corrigindo-as sem grande esforço.

Detém-te naquelas pequenas coisas, aquelas que quase não parecem erradas, quase não parecem pecado, e reconhece humildemente que são essas aquelas em que cais com mais facilidade e repetes quase continuamente.

Enumera-as para ti mesmo e, olhando para Jesus que está ao teu lado nesse deserto que vives neste momento, coloca-as nas Suas mãos e arrependido pede perdão.

Pede, sobretudo, ao Espírito Santo que te dê forças para venceres essas fraquezas, essas fragilidades.

Pede-Lhe mesmo, como criança ao Seu colo, que Ele te avise antes de caíres, para poderes estar bem atento e resistires a essas tentações.

Sim, tu sabes que vais cair mais umas vezes, mas Ele toma-te pela mão, aperta-te junto ao peito e diz-te suavemente: Eu sei, meu filho, eu conheço-te. Por isso te digo, a tua conversão é viveres para fazer a minha vontade.

 Joaquim Mexia Alves

OS PÃES DO MEU FARNEL

Encosto a bengala à parede, junto da porta, no canto habitual, sento-me à mesa de trabalho e fico por momentos a pensar naquele momento de conversa, a meio do corredor, com um dos meus companheiros de residência:

Tão alegre e dinâmico que ele era!

Encostado à sua bengala, muito mais artística que a minha, ergueu para mim uns olhos magoados, como se a vida lhe pesasse demasiado, e disse-me, em tom de quem conclui um raciocínio comum: Pois é: não prestamos mesmo para nada! Só para dar trabalho e estorvar.

Respondendo apressadamente, talvez, de facto, demasiado apressadamente, por não me parecer oportuna conversa mais demorada, disse eu, sem esperar resposta: importante será cada um dar o que tem para dar.

Lembrei-me da pequena estampa de “Santa Maria, Mãe do Amor Formoso” com um enorme chocolate que a Casa nos ofereceu, a propósito do chamado Dia dos Namorados; estampa na qual fora impressa esta súplica à Mãe de Deus:

“Que toda a minha vida, com o meu trabalho, alegrias e dores, seja um hino permanecente de amor!”

Trabalho, alegrias e dores… três palavras que podem sintetizar qualquer existência humana temporal, desde que surge no ventre materno até que se esconde no ventre da terra, donde, afinal, dito noutro contexto bíblico e patrístico, todos provimos.

Trata-se também de vocábulos que, como qualquer termo muito usado na linguagem corrente, transportam uma carga semiológica tão vasta e profunda, que qualquer um se pode enganar com eles, se não pensa um pouco nos contextos em que se empregam.

E, enquanto procurava que o sabor do chocolate pudesse transformar-se num apelo a olhar para o lado bom de tanta coisa que marca os meus dias, veio-me ao pensamento aquele número de “Caminho”: “Que a tua vida não seja uma vida estéril.- Deixa rasto. – Ilumina com o resplendor da tua fé e do teu amor.

Apaga com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. – E incendeia todos os caminhos da terra com o fogo de Cristo que levas no coração”.

Ora! – diria o meu companheiro, se ouvisse isto -, pensas que São Josemaria escreveu isso a pensar naqueles que, como tu e eu, estavam arrumados a um canto, sem poderem fazer nada?

Escrito na sua juventude, foi, até à sua morte, incentivo para milhares, muitos milhares de pessoas, e continua a sê-lo… pessoas de todas as condições.

Em qualquer dos casos, não consta que Jesus tenha feito algum gesto ou dito alguma palava que justifique o descarte que, afinal, muitas vezes até nas instituições ligadas à Igreja, se tomem como destino das casas onde nos encontramos.

Por mim, prefiro sentir-me entre os que seguem o Mestre, com o desejo de escutar a sua palavra e perscrutar os seus gestos, consciente de que não me abandona ao descarte e que não me tem cá por se ter esquecido de mim, mas porque continua a contar comigo, quanto mais não seja, para que vejam como, apesar de tudo, continuo a confiar n’Ele.

Posso dizer, sem nenhuma espécie de presunção, que tenho no meu bornal, deslustrado pelos anos, com uma enorme quantidade de remendos, tudo quanto podem simbolizar os sete pães – algumas versões falam de cinco – do farnel do rapazito que, no relato evangélico, entregou o necessário para que Jesus, com a colaboração dos discípulos, matasse a fome à multidão.

Não me interessa saber o significado real da palavra multidão: se eram muitas ou poucas as pessoas que comeram do pão abençoado por Jesus e distribuído pelos discípulos; interessa-me mais não descurar o sentido bíblico do que nos conta o Evangelho: que há uma enorme desproporção entre a pobreza do farnel cedido pelo rapazito e a extensão do milagre, com o qual todos “comeram até ficarem satisfeitos, e houve sete cestos de sobras. Ora, eram cerca de quatro mil” (Mc 8, 8-9).

Sete pães! O que é isto para matar todas as fomes que assolam a humanidade, neste mundo em que até se procura tirar ao homem aquilo que o torna superior aos outros seres ad Criação? O que, no fundo, significa, não matar a sua fome, mas arrancar-lhe o direito de sentir essa fome.

É pouco, muito pouco, talvez mesmo ridículo, comparado com essa fome: precisar de uma bengala ou um una cadeira de rodas, para, depois de ter sido ajudado nas coisas mais elementares da higiene pessoal, chegar à sala das refeições, onde pode acontecer que tenham de me levar a comida à boca… é pouco, muito pouco; mas com esse pouco, que constitui a única missa que agora posso celebrar, abraçá-lo com Cristo e como Cristo na Cruz, não faz menos pela salvação do mundo do que aquilo que fiz durante muitos anos e que, de vez em quando me distrai cum uma vã nostalgia.

No meio disto tudo, só algo me provoca uma certa pena: que quem me ajuda com tanta dedicação – competência profissional e carinho humano – não repare no altar onde todos celebramos, cada qual à sua maneira, a Eucaristia que Deus nos pede.

P. Augusto Ascenso Pascoal

Francisco e Jacinta, crianças que anunciam o céu

Foi-lhes dado a saborear o Céu. Francisco e Jacinta experimentaram o gosto pelo mais belo da existência humana: o encontro com Deus. Através das mãos da 

Senhora cheia de Luz, apreenderam “qual a largura, o comprimento, a altura e a profundidade… a capacidade de conhecer o amor de Cristo” (Ef 3,18) e não mais querer sair dele. Tal como tinham aprendido a gostar do doce e a chamar amargo ao que assim lhes parecesse, agora, depois de experimentarem aquela Luz que lhes penetrara no mais íntimo da alma, aprenderam a apreciar e a distinguir, com mestria, o que tem o brilho de Deus. 

Uma vez sentindo o sabor do Céu, é (sobre)natural que a vida fosse amarga sem essa marca divina. As bolotas da serra, que encontravam pelos caminhos percorridos com o rebanho, serviam bem como metáfora; comendo-as, provavam a amargura do afastamento de Deus que “os pobres pecadores” deviam sentir. Era mesmo porque amargava que Jacinta não perdia a oportunidade de oferecer como sacrifício, “para converter os pecadores”. 

Este simples gesto torna-se sinal de entrega e intercessão por essa humanidade ferida que tanto amavam. Os amuos e caprichos da filha mais nova dos Marto, ou o “não te rales” despreocupado do seu irmão Francisco antes das aparições, dissolvem-se diante do compromisso assumido pela salvação de todos. É preciso que rezem, que rezem muito, porque a oração é força maior que todas as armas. A angústia da guerra que se vivia no início do século XX, bem como todas as inquietações intemporais que habitam o coração humano, o aparente sem sentido do sofrimento e da morte, os próprios limites e a desilusão do mundo, enfim a condição humana clamava pela paz. O Coração Imaculado de Maria surge, em Fátima, precisamente como resposta a esse clamor. Se a um filho que pedisse pão, daríamos pão e não pedra, “…quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedem!” (Lc 11, 13). O Coração materno da Virgem Maria é-nos dado como refúgio e caminho para Deus. Jacinta abraça esse dom de Deus com o entusiasmo próprio das crianças que se encantam pelo belo e pelo bom, mas também com a maturidade de discípula enviada. Pouco tempo antes de ir para o hospital, onde haveria de morrer, Jacinta dizia à prima Lúcia: “Se eu pudesse meter no coração de toda a gente o lume que tenho cá dentro no peito a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria!” (III, 130). 

Envolvidos nessa atmosfera, Francisco e Jacinta entram na linha dos amigos de Deus que O escutam e seguem por onde quer que vá. Francisco é o menino fascinado por Deus: “nós estávamos a arder naquela Luz que é Deus e não nos queimávamos. Como é Deus!!! Não se pode dizer!” (IV, 145). Vemo-lo descobrir, comovido, que pode consolar, reparar, comungar este Deus. Lúcia ia à escola, mas ele ficava com O Amigo, na Igreja, como se o tempo e o espaço da sua curta existência na terra não pudessem ter outro fim senão o de estar todo, inteiramente, diante do seu Deus e Amigo. A oração ensinada pelo Anjo e rezada vezes sem conta, “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente…”, tornou-se o ritmo do seu próprio coração. Cada momento, cada gesto eram expressão de uma vida com Ele. Nunca sem Ele. Até ao fim. Dizia alguém: “parece que se sente, ao entrar no quarto do Francisco, o que sentimos ao entrar na Igreja” (IV, 190). 

A fragilidade e inconstância próprias da infância deixam de caber na descrição destas duas crianças. Pequenos mestres porque aprenderam com a Mestra do Mistério de Deus, Francisco e Jacinta falam-nos de uma vida transfigurada. Enraizados em Deus e no Coração Imaculado de Maria, olham-nos, firmes na fé, com o rosário nas mãos. Nesse desenrolar silencioso e discreto dos mistérios de 

Deus, escondidos no passar de cada pai-nosso e de cada ave-maria, consolam a Deus e transformam o mundo, enquanto o seu próprio coração é moldado até que Cristo seja formado neles. Mais do que ser a oração dos simples, o Rosário é instrumento que simplifica a vida. Assim foi para Francisco, quando em maio soube que teria de rezar muitos terços: “Ó minha Senhora, terços, rezo todos quantos vós quiserdes” (IV, 141). 

Nos santos Francisco e Jacinta Marto, os mais novos da nossa Igreja, a santidade desenha-se com radical novidade, como é sempre típico de Deus. Crianças humildes, surpreendem-nos pela fidelidade de quem nunca aceitou alternativas aos planos amorosos de Deus. Consoladores e intercessores, reconhecidos com gratidão e veneração, são, hoje, ao jeito do Ressuscitado, sinal do triunfo da Vida e do Bem e anunciadores do Céu. 

Ana Luísa Castro, asm e Ângela Oliveira, asm
Este artigo foi originalmente publicado no jornal Voz da Fátima no dia 13 de maio de 2017 

As Cinco Chagas do Senhor

Jesus ao ressuscitar poderia tê-lo feito mostrando o Seu Corpo isento de todas as marcas da Paixão, sobretudo das Cinco Chagas que sofreu por todos nós.

Mas quis manter essas marcas indeléveis, como sinais do Seu infinito amor por nós.

No fim do dia em que Maria Madalena, Pedro e João se deparam com o túmulo vazio, Jesus aparece aos seus discípulos.

«Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor.» Jo 20, 19-20

 

Podemos então reparar no pormenor da narração do Evangelho de São João que afirma, «mostrou-lhes as mãos e o peito».

Sabemos também que nesse dia, Tomé não estava com eles e que, «oito dias depois» (Jo 20, 26), Jesus volta a aparecer no meio deles e chama um Tomé incrédulo dizendo-lhe: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» Jo 20, 27

 E a mesma narração diz-nos que o Apóstolo, sem tocar em Jesus, responde dizendo: «Meu Senhor e meu Deus!» Jo 20, 28

 As Cinco Chagas que Jesus quis então manter no Seu Corpo ressuscitado, são a prova mais evidente de que o Cristo ressuscitado é o mesmo Jesus que sofreu a Paixão e deu a vida por todos nós, na Cruz.

São razão, portanto, para nos colocarmos perante as nossas fraquezas, os nossos pecados, que infligiram em Jesus Cristo tão terríveis dores, e arrependidos, também O reconhecermos como «Meu Senhor e meu Deus!»

Mas são também, paradoxalmente, razão da nossa alegria, porque essa mesma Paixão e Morte, bem presentes nas Cinco Chagas do Senhor, são a certeza inabalável de que Deus nos ama infinitamente, de tal modo, que entregou o próprio Filho para padecer e morrer por nós, ressuscitando ao terceiro dia, libertando-nos assim da lei da morte do pecado.

Podemos, por isso, mais do que olhar ou venerar as Cinco Chagas do Senhor, dar graças, alegrarmo-nos, porque Cristo ressuscitou e está no meio de nós e, perante as nossas fraquezas, arrependidos, podemos colocar todos os nossos pecados nas Chagas do Senhor, pois são elas a realidade mais visível da total entrega de Deus por nós.

Podemos, até, considerar na nossa entrega a Jesus Cristo, as Suas Chagas como uma “entrada” para estarmos n’Ele e com Ele, ou mesmo, uma fortaleza para, “metendo-nos” nelas, resistirmos ao pecado.

Muitas vezes, colocados perante a crueza da Paixão e Morte de Jesus, prostramo-nos e deixamo-nos abater pelo peso das nossas fragilidades, pelo peso do nosso “ser pecador”, e podemos e devemos fazê-lo sem qualquer dúvida, mas também podemos e devemos alegramo-nos, na serena alegria de Deus, porque fomos libertos do pecado e salvos da morte, na esperança real da vida eterna com Deus e em Deus.

Sabemos que muitos Santos tinham uma verdadeira devoção às Cinco Chagas de Cristo, com expressões tão belas como por exemplo São João de Ávila, «Metei-vos nas chagas de Cristo», ou São Josemaria  «Meter-me, cada dia, numa chaga do meu Jesus». 

O Papa Francisco disse numa homilia em 7 de Abril de 2013:

«Na minha vida pessoal vi muitas vezes o rosto misericordioso de Deus, a sua paciência; vi também em muitas pessoas a determinação de entrar nas chagas de Jesus, dizendo-Lhe: “Senhor estou aqui, aceita a minha pobreza, esconde nas tuas chagas o meu pecado, lava-o com o teu sangue”. E vi sempre que Deus o fez, acolheu, consolou, lavou, amou»

 Celebremos esta Festa das Cinco Chagas de Cristo, com toda a devoção e entrega, sabendo que em Cristo e com Cristo somos em tudo e sempre vencedores.

Marinha Grande, 07 de Fevereiro de 2025
Festa litúrgica das Cinco Chagas do Senhor

Joaquim Mexia Alves