Um Natal feito de Esperança

Passa um ano e outro ano e não nos cansamos de nos maravilharmos com a Luz que resplandece no meio das noites e trevas deste mundo que parecem ser cada vez mais densas e que se manifestam nos nossos medos, depressões, desesperanças e que teimam invadir o coração e o olhar. Mas a Luz que se levanta neste tempo de Natal faz brilhar para nós a Esperança  que nos coloca na expectativa de uma humanidade renovada.

Não nos cansemos de admirar a Luz!

Os dias precipitam-se para o grande dia: o de Natal! As cidades estão cheias de luzes, músicas natalícias que se insinuam aos nossos ouvidos como melodias que inspiram a uma mudança de vida! As casas tornam-se mais percetíveis pelas cortinas de luzes que são expostas no exterior. Das formas mais tradicionais (presépios, estrelas, sinos...) às mais modernas (caixas de presentes, renas, Pai-Natal...) há no ar um sentimento comum de alegria, paz, esperança e amor.

A cada Natal somos chamados a relembrar as razões da nossa Esperança, na certeza de que Jesus vem ao nosso encontro, quer nascer no nosso coração e fazer parte da nossa vida. É um caminho exigente…

Quando tudo corre bem, facilmente nos enchemos de nós mesmos e das nossas conquistas e, tal como há dois mil anos, não temos espaço para o Deus que se faz menino. Mas quando o fardo é pesado e vivemos acontecimentos dolorosos, facilmente caímos no desânimo e apaga-se a luz que ilumina o nosso caminho. Tal acontece facilmente quando estamos fechados em nós mesmos e perdemos a beleza e novidade que o Menino nos quer mostrar com o seu nascimento na pobre gruta de Belém.

 Sim, quando o Natal se resume a uma festa com jantares e iluminações, é uma questão de tempo para se tornar apenas isso e nada mais.

O Papa Francisco desafia-nos a reencontrar a esperança que vem da confiança no amor de Deus. Disse-nos, no Angelus de 01 de Dezembro, ali: 

«Todos nós, em tantos momentos da vida, nos perguntamos: como ter um coração “leve”, um coração desperto, um coração livre? Um coração que não se deixa esmagar pela tristeza? (…) Com efeito, pode acontecer que as ansiedades, os medos e as aflições sobre a nossa vida pessoal ou pelo que se passa no mundo hoje, pesem sobre nós como pedras e nos atirem para o desânimo. Se as preocupações tornam pesado o coração e nos levam a fechar-nos em nós mesmos, Jesus, pelo contrário, convida-nos a levantar a cabeça, a confiar no seu amor que nos quer salvar e que se faz próximo em cada situação da nossa existência, pede-nos que Lhe demos espaço para redescobrir a esperança.».

A esperança ocupa na vida dos Homens, de modo especial na do cristão, a par das outras virtudes teologais, fé e a caridade, um lugar central.

Mais do que um aspeto otimista sobre o futuro, a esperança é uma virtude enraizada numa confiança profunda em Deus. A esperança é a âncora da alma, que nos segura nas dificuldades e nos permite manter no caminho do seguimento de Jesus. Por isso, viver na esperança não significa ignorar as dificuldades do mundo, mas confiar que Deus está sempre ao nosso lado, mesmo nos momentos de maior escuridão. Num mundo marcado pela incerteza, pela guerra, o egoísmo, a autossuficiência, todos somos chamados a ser testemunhas da Esperança.

Em Cristo, há sempre caminho para uma vida nova: o menino Jesus que adoramos na época do Natal oferece-nos a esperança, a paz e o amor nos nossos momentos difíceis!

Como Maria que trouxe Jesus no seu ventre, neste Natal, somos desafiados a confiar mais em Deus e a ser semeadores de Esperança nos caminhos da vida.

Portadores desta esperança que se faz Menino e que quer nascer no nosso coração, deixemos que a grande Luz brilhe na nossa vida e, contagiados por ela, sejamos sinal de esperança, de alegria e de amor para todos quantos se cruzam connosco.

É com este sentir que deixamos os votos de um Santo Natal a todas as famílias da nossa cidade. Que a Luz que desponta nesta noite santa brilhe em todos os lares e as inunde de Esperança.

 Padre Jorge Fernandes, Vigário Paroquial