E agora, pensamos nós, temos que colocar cinzas sobre a cabeça, vestir-nos de saco, e mostrar a toda a gente como estamos arrependidos e fazemos penitência.
Não, não precisa ser assim, e a penitência não é para “mostrar”, é para viver no nosso íntimo.
Hoje em dia, diz-se muitas vezes que Deus não quer o nosso sacrifício, que não quer que nós soframos, e isso é, obviamente, verdade.
Mas não deve constituir desculpa para não nos colocarmos perante as nossa faltas, delas pedirmos perdão e nos penitenciarmos por causa das mesmas.
E esta penitência que, mais do que devemos, precisamos fazer, é procurar em nós aquilo que, neste tempo de Quaresma, podemos prescindir com algum sacrifício, seja materialmente, seja socialmente, seja, sobretudo, espiritualmente.
Materialmente, prescindirmos de alguns prazeres rotineiros diários, (o café, o bolo, o doce, etc.), e oferecermos o que, por causa disso, poupamos aos que mais necessitam.
Socialmente, termos mais atenção aos outros, sobretudo àqueles com quem não conseguimos ter uma relação mais empática e, revestindo-nos de paciência, os ouvirmos e tentarmos compreender.
Espiritualmente, fazer um compromisso connosco próprios, para lermos e meditarmos diariamente a Palavra de Deus, para O procurarmos no sacrário sempre que nos for possível, rezarmos mais e melhor, ou seja, não de forma rotineira, mas como um verdadeiro diálogo com Deus que se dá a conhecer àqueles que O procuram «em espírito e verdade».
E depois, obviamente, o Sacramento da Confissão, plenamente celebrado, isto é, com um bom exame de consciência, a confissão de todos os pecados, um verdadeiro arrependimento, e um firme propósito de emenda.
Seguros da Sua infinita misericórdia, viveremos uma penitência na Quaresma, que Ele recebe cheio de amor.
Joaquim Mexia Alves