Falamos em esmola e logo o nosso primeiro pensamento vai para o dinheiro, para as coisas materiais, para os bens de primeira necessidade.
E, sem dúvida, essa é uma esmola importante, sobretudo para aqueles que nada têm e precisam de tudo.
Mas também é verdade que é a esmola mais fácil, digamos assim, porque no fundo é “meter a mão no bolso” e tirar o pouco ou muito que nele se tem.
E quando pensamos nessa esmola material, também logo podemos arranjar uma qualquer desculpa para não a dar, porque não temos bens ou capacidades materiais para isso.
Mas e a “esmola” do tempo? A “esmola” da companhia? A “esmola” da paciência? A “esmola” do sorriso? A “esmola” do abraço? A “esmola” da solidariedade?
E um nunca acabar de “esmolas” que afinal todos podemos dar, porque não exigem nada dos nossos bens materiais, mas sim da nossa entrega pessoal, da nossa disponibilidade.
É tão cómodo haver gente que faz todo esse trabalho, que recebe as nossas muitas ou poucas dádivas, e as distribui àqueles que delas precisam.
Já perguntámos a alguém ou perguntámos a nós próprios, o que podemos fazer para ajudar?
Com certeza que não podemos ser todos a fazer as mesmas coisas, mas podemos, sem dúvida, ajudar em momentos pontuais, estando disponíveis para darmos essas “esmolas”.
E se há uma “esmola” que todos, sem excepção, podemos dar, essa é, sem qualquer dúvida, a oração pelos outros, pelos que precisam e por aqueles que os ajudam diariamente.
Joaquim Mexia Alves