Apresentação do Menino Jesus no Templo

Quarenta dias após o nascimento de Jesus, Maria e José foram ao Templo para fazer, conforme previa a Lei, a apresentação do Menino e a Purificação da mãe. Apesar de Maria e Jesus não precisarem de cumprir este preceito, pois Jesus é o autêntico Cordeiro de Deus que vem tirar os pecados do mundo e Maria concebeu e deu à luz virginalmente, levaram a cabo o preceito em estrita obediência à Lei de Deus.

A oferta de José e de Maria "um par de rolas ou duas pombinhas" representa a humildade e simplicidade da Sagrada Família. O espaço familiar torna-se a escola onde se aprende o amor, a solidariedade, a partilha, o serviço, o diálogo, o respeito, o cuidado e o perdão.

Simeão e Ana, cada um à sua maneira, reconhecem no menino que se apresenta no Templo, o cumprimento das promessas de Deus. Vêm nesse menino uma luz que ilumina o caminho e a vida dos homens.

A luz trazida por Jesus ao mundo é um chamado à fé e esperança. Este momento de revelação, promessa e esperança destaca a importância de reconhecer a presença divina e permitir que essa luz guie as nossas vidas.

Nesta leitura, sentimo-nos também inspirados por Simeão e Ana a sermos perseverantes na fé e a estarmos atentos aos sinais de Deus na nossa vida. Ambos viveram anos dedicados a Deus, confiando nas promessas divinas, mesmo sem saber exatamente quando elas se cumpririam. A perseverança de ambos convida-nos a refletir sobre a paciência e a confiança necessárias na nossa própria caminhada espiritual."

2º ano da Catequese da igreja Paroquial

Domingo III Tempo Comum - Domingo da Palavra de Deus 2025

Neste domingo celebra-se em todas as dioceses do mundo o Domingo da Palavra e este ano o tema está imbuído no espírito deste tempo de Jubileu que estamos a viver. O Papa Francisco propôs como mote para reflexão a frase do salmo 119 “Espero na tua Palavra”.

Uma nota enviada à Agência Ecclesia * refere que “trata-se de uma iniciativa profundamente pastoral que o Papa Francisco desejou para que as pessoas compreendam como é importante, na vida quotidiana da Igreja e das comunidades, a Palavra de Deus”.

O texto do Evangelho desta semana, escrito por S. Lucas (Lc1, 1-4;4,14-21), vem sublinhar esta presença viva, intemporal e atual da Palavra de Deus e não só do Novo Testamento, onde a Palavra de Deus encarnou em Jesus Cristo, mas também no Antigo Testamento.

Jesus depois de ser batizado, cheio do poder do espirito Santo, e de iniciar a sua vida pública, regressa à Galileia, mais propriamente na Sinagoga de Nazaré, onde como todos os judeus, ao sábado,  Jesus vai ouvir e partilhar a Palavra de Deus. O texto refere que Jesus “ensinava”. E neste dia Jesus “levantou-se para fazer a leitura “e foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías. E depois de ter lido o texto “«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos e a proclamar o ano da graça do Senhor», Jesus afirma “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura que acabais de ouvir".

Esta Palavra “Hoje” vem até aos nossos dias e no início do texto de Lucas ele faz uma dedicatória a um “Teófilo”, cujo nome significa “amigo de Deus”. E todos nós somos amigos de Deus. Por isso aplica-se a cada um de nós, na nossa vida, na relação com os outros e connosco próprios.

Há um paralelismo com o Antigo Testamento, onde os homens inspirados pelo Espírito de Deus orientam o povo para Deus, que é onde encontrarão, o caminho para a Terra Prometida e esperam Aquele que há-de vir e Jesus diz “Cumpriu-se Hoje”. Jesus assume-se como sendo o Enviado de Deus para  dar cumprimento às profecias messiânicas e anunciar a sua missão que veio transformar o Mundo, e ainda hoje, se lhe abrirmos a porta e O deixarmos entrar Ele transforma as nossas vidas.

Isaías utilizou na sua escrita imagens reais de pessoas que na época viviam à margem, mas estão, ainda hoje, existem do ponto de vista material, mas também espiritual, na nossa sociedade.

Os pobres são uma realidade cada vez mais presente no nosso mundo, quer por falta de bens essenciais para uma vida digna, quer de saúde, quer os pobres em espírito, aqueles que ainda vivem como cegos, porque não querem ver. Os cegos não vêm com olhos, mas têm os outros sentidos muito apurados. Mas os que não somos verdadeiramente invisuais, não só, não conseguimos ainda entender a Palavra de Deus, bem como perceber a mensagem de Jesus, como demonstramos muita falta de gratidão por tudo o que Deus nos dá , quer de forma consciente ou inconsciente e pelas nossas ações. Muitas vezes afastamos Jesus da nossa vida, tornamo-nos cativos e oprimidos no e pelo nosso próprio egoísmo e não vemos verdadeiramente o que é importante na vida: o Amor. E como diz Paulo na 1ª. Carta a João” Aquele que não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor" ( 1 João 4,8).

 

Este Texto ajuda-nos a fazer uma auto-reflexão. A olhar para a nossa vida e a perguntarmo-nos se estamos a viver de acordo com os valores que Jesus nos ensinou e se estamos efetivamente a amar os outros como Ele nos amou. Mas para isso temos de saber como é que Ele nos amou e, portanto, também nos questiona se estamos a ler a Sua Palavra e a dar-lhe verdadeiramente importância.

Ajuda-nos também a reconhecer a Missão divina de Jesus e olhar para a Cruz e na sua morte e Ressurreição reconhecer o seu perdão, o seu amor e a viver a nossa cruz também dessa forma. A ver na sua mensagem uma mensagem de libertação, esperança, salvação e uma inspiração para a ação. Apesar de todas as dificuldades que temos no nosso dia a dia, Ele está sempre connosco para nos dar a força necessária para não desistir. Ele inspira-nos a segui-lo, a querer ser e fazer como Ele. A sentir-nos chamados a algo maior, a servir e a fazer a diferença na vida dos outros que estão à nossa volta.

 O Papa Francisco dizia aos jovens, nas JMJ em Lisboa em 2023 “Não tenham medo!”. Mas não se aplica apenas aos jovens, é  para todos nós. Estando mais perto de Deus, da sua bondade e misericórdia, para connosco próprios e para com os outros, a vida corre de uma forma mais leve e sem medos, porque Ele está connosco.  E não só de forma individual, mas também na comunidade.  Tal como Jesus, nós recebemos o Espírito Santo pela primeira vez no nosso batismo e reforçamos a sua presença ao receber o sacramento do Crisma que nos incentiva, tal como Jesus aos Apóstolos, no dia de Pentecostes, a ir pelo mundo e anunciar a boa nova. E eles foram e criaram comunidades por onde passaram. E este texto exorta-nos também à vida em comunidade. A reconhecer que somos chamados a fazer parte de uma comunidade que partilha os mesmos valores e a mesma fé. Uma comunidade que caminha junta e que celebra junta esta vida nova em Jesus Cristo, todos os domingos na Eucaristia, e desta forma fazemos também como Jesus que ia à Sinagoga ouvir a Palavra de Deus. Encontrarmo-nos com a comunidade e com Ele, “pois, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt18,20) e fazemos memória D´Ele, como Ele nos pediu na última ceia.

"Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura que acabais de ouvir."  A Palavra de Deus é intemporal e se a deixarmos agir na nossa vida, seremos verdadeiramente transformados por Ela. Uma Palavra que , diz-nos o Papa Francisco “ não se reduz a um livro, mas que está sempre viva e torna-se um sinal concreto e palpável”.

 

Grupo de catequese familiar do 4º. Ano
Centro de catequese de Picassinos

 

 

*https://agencia.ecclesia.pt/portal/events/jubileu-2025-dioceses-do-mundo-celebram-o-vi-domingo-da-palavra-de-deus/

Domingo II Tempo Comum

As Bodas de Caná, narradas no Evangelho de João, são um evento significativo na vida de Jesus.

Este milagre, onde Jesus transforma água em vinho durante uma festa de casamento,  é um momento de transformação e renovação.

O casamento é uma celebração, e a falta de vinho poderia ser vista como um grande embaraço para os anfitriões. A intervenção de Jesus, a pedido de sua mãe Maria demonstra a sua confiança em Deus.

O olhar atento de mãe que antecipa a resolução daquele que poderia ser um problema, Maria acredita e ordena aos serventes "Façam tudo o que Ele vos mandar". Também hoje,  Maria está presente na nossa vida, para nos lembrar que devemos fazer sempre o que seu filho nos ensinou.

Maria aceitou ser mãe de Jesus sem hesitar e passou a ser mãe de toda a humanidade. Como mãe está sempre atenta às nossas necessidades e se confiarmos nela nada nos falta.

Maria confia e dá a Jesus o impulso para a concretização de um milagre.

Este milagre é um ato de generosidade e abundância. Jesus não dá apenas vinho, mas o melhor vinho,  simbolizando a plenitude e a excelência do Reino de Deus.

Esta passagem das Bodas de Caná marcam o inicio do ministério público de Jesus. Este primeiro milagre revela a sua identidade divina e estabelece a base para os muitos sinais e maravilhas que ele realiza ao longo da sua vida. Mesmo nas situações mais cotidianas, a presença de Jesus pode trazer transformação e renovação.

Em suma, as Bodas de Caná são um poderoso testemunho da generosidade,  compaixão e poder transformador de Jesus. Convida-nos a confiar na sua divindade e a reconhecer a presença de Deus em nossas vidas diárias.

Quarto ano da catequese, centro Igreja Paroquial

Baptismo do Senhor: batizados com Jesus

O tempo de Deus, da Igreja e, em especial, da liturgia é diferente do tempo comum dos homens. Ainda há dias contemplávamos, com tanta ternura, o Menino Jesus recém-nascido e já estamos a celebrar o Batismo de Jesus e, nele, o nosso próprio batismo. O Evangelho de S. Lucas proporciona-nos uma narração lindíssima deste momento que é fundamental para compreendermos e interiorizarmos a Boa Nova.

1.     Começa por nos dizer o Evangelista: “O povo estava na expetativa”.

 A expetativa, a espera e a esperança são condições para que Deus aconteça na nossa vida. Falamos de uma espera humilde e confiante: algo vai chegar. Não sabemos bem o que é, mas sabemos que só pode ser algo de muito bom, porque vem do Pai. E nós, perante o Evangelho deste Domingo, continuamos expectantes ou achamos que estamos apenas a assistir a eventos históricos, já concretizados noutros tempos e com outros protagonistas? Nesse caso, restar-nos-ia pouco mais do que um papel de espetadores passivos que vivem as coisas em segunda mão, ou não as vivem de todo. “Que bom teria sido assistir ao Evangelho ao vivo!”, pensamos. Mas a Boa Nova atualiza-se de cada vez que a escutamos, desde que consigamos esvaziar a nossa mente e o nosso coração das certezas e seguranças que abafam as expetativas, para de novo o Senhor nos preencher e alegrar. Louvado seja Deus que nos oferece, em tantas ocasiões, uma visão renovada e renovadora da Verdade!

 2.     Como quase tudo o mais das Sagradas Escrituras, o Batismo de Jesus é sobejamente conhecido e parece-nos que nada tem a revelar-nos que não saibamos já. João veio à frente de Jesus, preparar o Seu caminho, oferecendo um batismo simples; o Senhor foi batizado Ele mesmo e Deus fez um milagre para deslumbrar o povo. Hoje, nós somos batizados para recordar tudo isto. Está a história contada. Será assim?

Sempre que nos lemos a Palavra, somos desafiados a refletir: “O que tem isto a ver connosco, comigo, hoje? O que está Deus a querer dizer-nos, a dizer-me a mim, de novo?” Se não mantivermos a expetativa a que se refere o Evangelho deste Domingo, a resposta às duas questões é “nada”. Estamos apenas a recordar histórias passadas.

3.     O povo estava expectante, ansioso. Conhecia as promessas que vinham do Antigo Testamento acerca do Messias. Circulavam muitas ideias sobre quem seria e o que viria fazer o Ungido de Deus. Seria um chefe militar, um rei, um sumo sacerdote, um curandeiro? Cada um tinha as suas necessidades, as suas expetativas. O povo, coletivamente, alimentava a esperança de que fosse sacudido o jugo do invasor romano e restaurada a antiga glória de Israel. As classes altas esperavam ampliar a sua posição e ver reforçado o seu estatuto. Os sacerdotes acreditavam no seu acesso preferencial a Deus, o que fazia deles mediadores entre os homens e o Alto.

João Batista esforçou-se para que não o confundissem com o Messias. Disse claramente ao que vinha: “Está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias”. Do mesmo modo, explicou a diferença entre o batismo (incompleto, mas importante) que ele estava a fazer e aquele (pleno) que seria trazido pelo Messias: “Eu batizo-vos com água (…) Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo”.

Mas os homens são impacientes e têm tendência para ouvirem o que querem, não o que está a ser-lhes realmente dito. As suas expetativas já traziam um perfil definido do Messias, e João, em todo o seu estranho modo de viver e de se apresentar, parecia corresponder a esse perfil. O que interessava o que ele próprio, João, dizia?  

Nós não somos diferentes: queremos um Messias à nossa medida, à imagem do que achamos que Ele deve ser. A nossa expetativa nem sempre é humilde e confiante. Inevitavelmente, ficamos desiludidos e frustrados. “Deus faltou-me, a Igreja falhou-me”, lamuriamo-nos.

4.     “Quando todo o povo recebeu o batismo, Jesus também foi batizado.” Primeiro o povo, todo ele. Só depois Jesus. Porquê assim?

Antes de mais, assalta-nos a dúvida: Cristo, o autor e fonte dos Sacramentos, precisava de ser batizado? Se sim, como é que lhe faltava ainda algo? Era porventura um messias inacabado? Se não precisava, para que serve este episódio? Há quem diga que Jesus estava a cumprir as Escrituras. E estava, no sentido de consumar a Promessa de Deus e de corresponder às expetativas mais legítimas e puras do povo. Não estava a representar um papel, a fazer um teatro.

Talvez a pergunta deva ser feita de outra forma: era Jesus que precisava de ser batizado ou era o povo que precisava de ver confirmadas as promessas feitas através de todos os profetas até João Batista?  

Jesus tem enorme apreço por João. Noutras passagens dos Evangelhos, chama-lhe mesmo “o maior dos nascidos de mulher”, “o Elias que estava para vir” (Mt, 11, 11-14). Mas também diz que “o mais pequeno no Reino do Céu é maior do que ele”, indo ao encontro do que que afirma o próprio João: “não sou digno de desatar as correias das suas sandálias”. A humildade é que faz que João seja grande e é Deus quem lhe dá lugar no Reino do Céu, não os seus muitos méritos.

Um pormenor cheio de significado: Jesus é batizado depois de todo o povo, não antes. Há um caminho a percorrer, uma pedagogia que Deus nos propõe, uma ordem própria para as coisas. Ninguém corre antes de saber caminhar; o leite materno prepara-nos para os alimentos mais substanciais. Primeiro, o povo tinha de escutar João e de receber o seu batismo. Só depois, nessa terra fecunda, germinaria o Messias.

Ao submeter-se ao batismo da água, Jesus valida a pregação e o batismo de João. Ele é o Messias, mas há todo um processo para Ele chegar aos homens e os homens a Ele. Há etapas que não podem ser saltadas. Isto é tão verdadeiro para nós, este Domingo, como para aqueles homens, naquele momento que se renova no nosso próprio Batismo, na vivência dos Sacramentos e na escuta atenta da Palavra de Deus. Não estamos a recordar nem mesmo a fazer uma reconstituição histórica: estamos a fazer de novo, a atualizar, aqui e agora.

Enquanto não percebermos e vivermos desta forma, a Bíblia não passará de um conjunto mais ou menos interessante de relatos de um passado distante e cada celebração será apenas um ritual evocativo, piedoso, mas sem efeito prático em nós, indivíduos e comunidades.

5.     Eis que se dá o milagre, quando Jesus é batizado: “Enquanto orava, o céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corporal, como uma pomba.” Tantas coisas a acontecerem num momento aparentemente tão breve e simples!

A Pomba, símbolo da paz, da simplicidade, contrasta com a grandeza do momento. Temos de ver para lá do espetacular. Jesus fez muitos milagres, não para nos cativar pelo aparato e sim para nos mostrar o Seu Amor, para mostrar que a Sua Palavra é viva e atua em nós. Temos de procurar ver mais além e de escutar com mais atenção.

Naquele momento, Jesus “orava”: não recebe passivamente o batismo de João, mas fala com Deus. Podemos, sem abuso, imaginar que estaria a professar todo o seu amor pelo Pai e a pedir pelos que testemunhavam o momento – o que ali estiveram presentes e nós, que também somos testemunhas. A ação de Deus em nós, na nossa vida, depende da nossa atitude. É Ele quem faz o “trabalho”, mas nunca contra nós, apesar de nós, sem nós. Ele, o Todo-Poderoso, precisa de nós, do nosso sim, da nossa disponibilidade, para fazer em nós maravilhas!

Assim sucede no Batismo de Jesus. Desce sobre Ele o Espírito Santo, a corrente de amor entre o Pai e o Filho, de forma visível, acessível para nós, tão dependentes que somos dos sinais que recebemos pelos sentidos. Mas Deus sabe como somos e das nossas limitações, e apresenta-se-nos de formas que conseguimos alcançar!

6.     E Deus completa o milagre, falando de viva-voz, claramente: “Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência”. Jesus sabe quem é, mas Deus não cessa de lho confirmar. Quem ama, reafirma o seu amor uma e outra vez, não para calar dúvidas, mas pela alegria de anunciar esse amor e por saber da alegria que vai renovar em que o ouve. O Pai responde à oração do Filho – e responde à nossa oração!

Jesus confirma João e Deus-Pai confirma Jesus. O Messias apresenta o Precursor e Deus apresenta o Messias. O milagre não está no aparato, no espetáculo da Pomba que torna visível o Espírito nem na voz divina que os pobres ouvidos das testemunhas conseguem ouvir. Está, sim, em que tudo isto suceda por nós, para nós, para que sejamos cativados pela Palavra e pelo Amor, para lá da grandiosidade e da excecionalidade do momento. Custa-nos porventura a crer, mas o Batismo de Jesus repete-se hoje, para nós, que escutamos o relato bíblico e o revivemos. Repete-se no batismo de cada criança ou adulto, a quem o Pai diz “Tu és meu filho, tu és minha filha”. É essa a identidade de Jesus, o de Filho de Deus, e é essa a identidade de cada um de nós.

7.     O Batismo é o primeiro dos Sacramentos, não por uma mera questão de ordem temporal, mas porque é o que nos confere identidade e imprime carácter e aquele que nos inicia na Vida que Deus nos propõe. O nosso nome fica para sempre ligado a esse momento e a essa identidade, daí falarmos em nome cristão, nome de batismo ou nome próprio: próprio da pessoa e da sua relação especial com o Pai. É tudo tão rico, está tudo tão ligado, e nós ficamos tantas vezes pela superfície, pela porta de entrada que são os rituais, pela efemeridade da festa mundana!... Termos a nossa identidade, o nosso nome, intimamente ligados ao Batismo e a identidade messiânica de Jesus é tão mais do que isso!

8.     Ao mesmo tempo, as coisas são mais simples do que as fazemos. Deus está tão mais próximo do que O imaginamos! Jesus anula definitivamente a distância entre o Céu e a terra, entre o sagrado e o mundano. Serve-se de matérias familiares como a água para se fazer presente, para nos abrir a mente e o coração para o Pai. Torna-se-nos presente na Eucaristia, a partir do pão e do vinho tão simples. Comunica-nos a sua graça por meio dos Santos Óleos, no Crisma, na Unção dos Doentes. A voz de Deus ressoa-nos nos ouvidos até ao dia de hoje.

9.     O milagre é esse: Deus que que estar connosco, no Seu Filho, fazendo-nos viver o Seu amor através do Espírito Santo. Deus comunica connosco. Deus comunica-se a nós.

Vamos reviver o nosso Batismo, escutar a voz de Deus como se fosse a primeira vez e deixar que a Sua graça seja reavivada nas circunstâncias concretas da nossa vida.

 

Lúcio Gomes
10 de janeiro de 2025

Epifania do Senhor

A Epifania do Senhor é o episódio onde o Evangelho segundo São Mateus relata a história da visita dos Magos ao Menino Jesus, guiados por uma estrela. Mas o que nos ensina este momento tão especial, celebrado todos os anos com tanta alegria?


A figura dos Magos simboliza a busca incessante pelo sentido da vida e pela verdade. Não eram judeus mas sim pagãos, não eram pessoas simples, humildes, pobres e perseguidos mas sim pessoas importantes nos seus reinos, pela sua sabedoria e conhecimento. Os Magos representam em si todas as nações que vêm adorar o Rei dos Reis. Este convite é atual e desafiante: nós todos também somos chamados a seguir a luz da fé, mesmo quando a viagem parece incerta ou cheia de obstáculos. A Boa Nova do nascimento do Salvador, não é só para alguns. É para todos os homens e mulheres que ousam em acreditar que Cristo é o Filho de Deus.

Os presentes oferecidos pelos Magos – ouro, incenso e mirra – têm significados profundos:  O ouro reconhece a realeza de Jesus; o incenso simboliza a sua divindade e a oração que sobe a Deus; a mirra prefigura o seu sofrimento e morte por nós. Estes dons recordam-nos que Cristo veio para transformar todas as dimensões da nossa vida: as conquistas, os desafios e os momentos de dor. Este Evangelho portanto faz com esta história uma premonição sobre a vida de Jesus, uma revelação universal do amor de Deus, que convida todos os povos e culturas a reconhecerem Cristo como Salvador, que sofrerá e morrerá na cruz porque nos ama!

A estrela que os guia é sinal da luz de Cristo, que brilha para iluminar os caminhos de quem o procura. A Estrela do Oriente é Jesus! O farol que nos guia para vivermos com sentido, amor e esperança. Ele é a fonte de luz que nunca se apaga, mesmo nos momentos mais difíceis, e que nos chama a ser reflexos dessa mesma luz no mundo.

Nos dias de hoje, a Epifania não é apenas uma celebração do passado, mas um convite constante para reconhecer a presença de Cristo em nossas vidas, para refletirmos sobre o que estamos a oferecer a Cristo. Quais são os “presentes” que entregamos aos seus pés? Pode ser o nosso tempo para os outros, a nossa dedicação à família, ou o compromisso com a comunidade e os necessitados. Assim como os Magos, também somos desafiados a sermos corajosos, a deixar as nossas zonas de conforto e a confiar na direção que Deus nos dá.

Para as famílias e, em especial, para as crianças do terceiro ano da Catequese que se preparam para a primeira comunhão, este Evangelho recorda a importância de sermos luz no mundo, tal como a estrela foi guia para os Magos. Jesus chama-nos a partilhar esta luz através de gestos simples, mas cheios de significado, como ajudar um colega, perdoar ou rezar em família.

A Epifania é mais do que um episódio distante: é um convite a abrirmos o coração para reconhecermos Cristo nas nossas vidas e nos outros. Que possamos, como os Magos, ser perseverantes na nossa jornada de fé, atentos às “estrelas” que Deus coloca no nosso caminho para nos conduzir à verdadeira alegria e paz.

Neste início de ano, inspiremo-nos no exemplo dos Magos e ofereçamos a Jesus o melhor de nós mesmos, renovando o compromisso de viver na luz do seu amor, para sermos a nossa melhor versão.

Termino com a minha mensagem de Boas Festas: Que sejamos Luz! Luz que não se apaga, Luz que brilha o ano inteiro! Aproveitar o que esta época tem de bom e lembrar que, mesmo num mundo imperfeito e com dias difíceis, somos capazes de nos unir, partilhar e construir algo melhor. Juntos brilharemos mais e a nossa Luz chegará mais além, aconchegando com empatia, compaixão e alegria! Sejamos uma Luz de Esperança e Amor!  

Sílvia Escudeiro

Domingo dentro da Oitava do Natal - Sagrada Família de Jesus, Maria e José, Festa

Neste último Domingo do ano, o Evangelho convida-nos a refletir sobre a Sagrada Família, composta por Jesus, Maria e José.

Embora vejamos sempre esta Sagrada Família como seres superiores e diferentes, esta Escritura vem relembrar-nos de que Maria e José são apenas pais. Pais que se deslocam com o Filho, Pais que continuam a ir a Jerusalém, todos os anos na Páscoa, Pais com a preocupação natural de não saber do Filho, que o procuram por todo o lado e não descansam até o encontrar. Qualquer pai ou mãe ficaria aflito numa situação destas, mas quando encontram o Filho, a reação de Jesus é muito diferente.

Não existe medo, nem preocupação porque, no fundo, nunca está sozinho e que está no lugar onde deve estar: “Por que é que me procuravam? Não sabiam que eu tinha de estar na casa de meu Pai?" Com esta resposta, Jesus deixa a adivinhar que embora se considere filho de Maria e José, a sua verdadeira missão é estar ao serviço de Deus. Ainda assim, apesar dos pais não terem entendido as suas palavras, voltou com eles para Nazaré.

Diz-nos a Escritura que, embora os pais não tenham entendido as palavras, Maria apercebe-se do que se passa e sabe no seu coração que Jesus está a crescer “em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.”. Maria sabe que o seu Filho é especial, mesmo sendo um rapazinho pequeno.

Todos nós queremos ser especiais. Enquanto filhos, enquanto pais, enquanto membros da nossa comunidade. O que nos temos de lembrar é que, à luz de Deus, todos somos especiais. Tal como Jesus, existe dentro de nós uma luz, um dom, que é especial. Jesus foi uma criança como qualquer um de nós foi. Resta-nos encontrar essa criança e essa luz dentro de nós, todos os dias.

 

Ana e Fernando Sousa

Quarto Domingo do Advento - Ano C

O Evangelho sugere que esse projeto de Deus tem um rosto: Jesus de Nazaré que encarna na nossa humanidade.

«Feliz aquela que acreditou»

Maria, Sua e nossa mãe, aparece como modelo de Fé e de misericórdia, para nos indicar o caminho.

Maria não precisou de grandes explicações quando lhe foi pedido que colaborasse no projeto de Deus.

Não hesitou, não pediu garantias, não procurou salvaguardar os seus projetos pessoais, não pôs em causa a lógica de Deus…

Confiou simplesmente na Palavra de Deus e entregou-se confiadamente nas mãos de Deus. Maria é a mulher da Fé autêntica, o modelo do crente verdadeiro.

Maria, depois de receber o chamamento de Deus e de aceitar ser a mãe do “Filho do Altíssimo”, pôs-se a caminho.

Não fica fechada na sua casa, mergulhada na contemplação do seu estatuto de mãe de um menino que vai herdar “o trono de seu pai David” e que “reinará eternamente sobre a casa de Jacob”, como lhe disse o mensageiro de Deus.

Transportando o Messias prometido, ela torna-se mensageira da paz. Habitada por notícias felizes, Maria faz-se “evangelizadora”.

Ela leva o “Evangelho” ao encontro daqueles que esperam ansiosamente a Boa notícia da chegada libertadora de Deus. É assim que ela prepara o nascimento daquele menino que vem mudar o curso da história dos homens.

Nestes dias que antecedem a celebração do nascimento de Jesus,

- Temos sido mensageiros da paz que Jesus veio oferecer ao mundo e aos homens?

- Temos sido porta-vozes da Boa notícia da chegada da salvação?

Terceiro Domingo do Advento - Ano C

O Evangelho de Lucas 3, 10-18  apresenta o papel de João Batista a  anunciar  a chegada de Jesus Cristo . Messias orientou  o povo a viver de forma justa e solidária.

 A multidão pergunta “O que devemos fazer?”, e João Batista responde com orientações práticas: compartilhar bens com os necessitados e agir com honestidade. Ele dá grande importância a essa ideia para chamar a atenção das pessoas para a necessidade de mudar de vida. O seu batismo com água é apenas preparatório, para anunciar um Messias mais poderoso, que batizará com o Espírito Santo e com o fogo.

Matilde,
9º ano - centro de catequese da igreja Paroquial