Neste último Domingo do ano, o Evangelho convida-nos a refletir sobre a Sagrada Família, composta por Jesus, Maria e José.
Embora vejamos sempre esta Sagrada Família como seres superiores e diferentes, esta Escritura vem relembrar-nos de que Maria e José são apenas pais. Pais que se deslocam com o Filho, Pais que continuam a ir a Jerusalém, todos os anos na Páscoa, Pais com a preocupação natural de não saber do Filho, que o procuram por todo o lado e não descansam até o encontrar. Qualquer pai ou mãe ficaria aflito numa situação destas, mas quando encontram o Filho, a reação de Jesus é muito diferente.
Não existe medo, nem preocupação porque, no fundo, nunca está sozinho e que está no lugar onde deve estar: “Por que é que me procuravam? Não sabiam que eu tinha de estar na casa de meu Pai?" Com esta resposta, Jesus deixa a adivinhar que embora se considere filho de Maria e José, a sua verdadeira missão é estar ao serviço de Deus. Ainda assim, apesar dos pais não terem entendido as suas palavras, voltou com eles para Nazaré.
Diz-nos a Escritura que, embora os pais não tenham entendido as palavras, Maria apercebe-se do que se passa e sabe no seu coração que Jesus está a crescer “em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.”. Maria sabe que o seu Filho é especial, mesmo sendo um rapazinho pequeno.
Todos nós queremos ser especiais. Enquanto filhos, enquanto pais, enquanto membros da nossa comunidade. O que nos temos de lembrar é que, à luz de Deus, todos somos especiais. Tal como Jesus, existe dentro de nós uma luz, um dom, que é especial. Jesus foi uma criança como qualquer um de nós foi. Resta-nos encontrar essa criança e essa luz dentro de nós, todos os dias.
Ana e Fernando Sousa